O primeiro dia em Quelimane foi um dia intenso, desde logo pela humidade do ar que nos deixa permanente a “destilar” e uma temperatura superior a 30 graus. Também foi intenso porque tivemos oportunidade de ver as casas onde vivemos as nossas infâncias. Estão lá, com quase quarenta anos de degradação contínua sem terem conhecido qualquer tipo de manutenção. Como tem vindo a acontecer, no nosso imaginário tudo tinha uma dimensão muito superior. A largura das casas, o tamanho dos quintais e dos jardins, espaços que serviram a nossa meninez e que na altura tinham para nós outra dimensão espacial.
Atravessámos Quelimane de lés-a-lés, através da sua marginal e avenida paralela, hoje Av. Samora Machel (a avenida do Monteiro e Giro, do hotel Chuabo, do café Riviera, que foi vendido a indianos segundo se diz e que se encontra fechado há quatro meses). A total degradação da catedral velha de Quelimane é a imagem que mais impressiona, pela sua simbologia nas nossas memórias. Foi lá que se casaram os nossos pais, foi lá que ajudámos à missa, teríamos então seis, sete ou oito anos. Publicar as fotos desta catedral abandonada seria o pretexto para retirar a qualquer “quelimanense ou chuabo” a vontade de regressar a esta cidade.
No outro lado da cidade, podémos passar pela Escola Técnica de Quelimane, nas traseiras de uma praceta onde muitos amigos viviam, onde nós fazíamos as nossas corridas de carros de rolamentos e que também se encontra em mau estado. Regressamos novamente pela rua das nossas casas e sentámo-nos no muro do antigo sindicato, em frente à nossa casa (Paulo e Zé). As casas estão habitadas e minimamente tratadas, mas não encontrámos condições para contactar com quem lá vive e eventualmente podermos lá entrar. Veremos amanhã e depois se tal será possível.
A antiga escola Vasco da Gama, continua a ser uma escola, agora uma escola primária. O Colégio de Nossa Senhora do Livramento continua a funcionar e ao que parece gerido por freiras. Lá iremos, porque hoje foi feriado, para visitar as salas de aulas onde tivemos aulas com as irmãs Lúcia, Elisete entre outras. Mas podemos espreitar por cima do muto das traseiras e recordar perfeitamente o espaço de recreio e as salas de aulas.
O antigo ciclo, onde eu Zé fiz parte do 1º ano e onde a mãe do Tozé foi minha professora de história, continua a ser uma escola, apesar de muito degradada.
O almoço foi Galinha à cafreal. Quelimane está visto e vai no sábado ser revisto. Amanhã vamos passar o dia à praia de Zalala.
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Rio dos Bons Sinais





Realmente deve ser emocionante! Depois de tantos anos, voltar ao local onde se viveram os primeiros anos da infância! Continuem a desfrutar. Bons banhos em Zalala e vejam lá se conseguem pescar caranguejo...Por aqui o calor também aperta.Já agora, a jornada futebolística foi excelente:Benfica (4-1)e Porto (5-1)ganharam e Braga empatou a 1 bola.
ResponderEliminarBeijos
Uma grande experiência vital!...
ResponderEliminarRecordar, inspira algo de novo. O passado é sempre o alicerce da nossa História, a reconstruir-se permanentemente.
Nascem novas iniciativas quando a criatividade é inovadora. Saudades!